quarta-feira, 3 de março de 2010

Tenho parado para refletir sobre o porque assisto programas como o Big Brother Brasi. A única conclusão a qual eu cheguei foi que, assisto para poder me sentir "inserida" no contexto social de massa, a qual este programa é destinado. Sim, eu sou uma idiota que assinte BBB. Ao menos tenho uma boa descula: sou jornalista, e qualquer pessoa que exerce essa profissão tem que saber falar sobre TUDO, e isso inclui besteirols como o tal programa global de maior audiência na atualidade.
Em fim, estava lendo um artigo na uol.com.br e achei muito interessante o que Mauricio Stycer escreveu sobre a ultima edição do programa e faço questão de compartilhar. Talvez ao terminar de ler este artigo concluo o porque me prego na frente da TV por horas para ver confinados em uma casa, representando seus próprios papéis em busca de um montante de R$1,5 milhão. E eu? O que ganho com isso? Nem cultura, se quer!
Segue o texto:

Ao chegar à décima edição, todo candidato já sabe que a sua principal tarefa no BBB é levar o público a acreditar que está comprando exatamente o que está vendo. É um trabalho de persuasão que cada um desenvolve com as armas e habilidades que possui.

Entre as frases que mais ouvimos durante o BBB, estão: “Sou autêntico (a)”, “sou coerente”, “sou eu mesmo (a)”, “jogo limpo”. São frases reiteradas no esforço de afastar do público a suspeita que mais pode afetar a chance de um candidato à fama e à fortuna: a percepção de que ele joga sujo, mente, encena, diz uma coisa e faz outra.

Sabemos todos, no entanto, que trata-se, na verdade, de uma encenação geral. Um grande teatro. Uma grande brincadeira na qual cada candidato, em interação com os demais, encena um papel em busca deste grande mistério que é a identificação com o público. Ao final, costuma vencer o candidato mais convincente – não necessariamente o mais verdadeiro.

Uma das principais tarefas de Mr. Edição é justamente “desmascarar” os atores para tentar mostrar ao público quem se esconde “de verdade” por trás das máscaras. Em entrevista dada exatamente há um ano, no meio do BBB9, Pedro Bial discorreu longamente sobre este assunto. Disse ele:

Rodrigo Dourado, o editor, edita sem roteiro. Na quinta-feira, ele me disse: “não tem nada de verdade aqui”. O conteúdo que a gente procura é o autêntico. “Eles estão encenando demais”, ele disse. A gente tira. Quando a gente viu, o programa ia ficar curto. Eu disse: “me dá mais tempo no ao vivo”. Temos essa alternativa nesse programa. Quando eles ficam “fakeando” (falseando) muito, a gente simplesmente não põe no ar. E no ao vivo não tem “fake”. É de verdade mesmo. Alguns jogam para as câmeras. Falam sozinhos. Você percebe que às vezes estão tentando enganar.

Ao final de mais esta semana de emoções no BBB10, fica no ar uma pergunta: quem está enganando quem no programa? Pareceu óbvio a Bial e Mr. Edição que a grande mentira neste programa foi o namoro entre Cacau e Eliéser. “De que vale o dom de iludir se não tem vocação de mentir?”, perguntou o apresentador, segundos antes de anunciar a eliminação da moça. Ao recebê-la, perguntou: “E você queria que o público acreditasse que (o namoro) é verdadeiro?”

Bial ainda acrescentou um segundo juízo moral à questão no discurso que precedeu a eliminação: “Fez uma escolha errada, a ela ficou aprisionada”. Michel, logo depois de encerrado o programa, observou: “O discurso foi pesado”. Ao que Dicesar, com mais quilometragem de vida, perguntou: “Quem sabe o que é escolha certa ou errada?” Já o comentário de Dourado, em conversa com seus aliados, foi diferente: “A galera da edição está fazendo a coisa certa”.

Ilusão e mentira são questões centrais num reality show, como lembrou Bial em seu discurso. Mas, a julgar pelo que o BBB mostrou nos últimos dias, apenas Eliéser e Cacau estavam tentando enganar o público. Só eles?


Será que depois deste texto da pra começar a se conformar com essa cultura inútil?!

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